Título Original: The Silent Wife
Autor: A. S. A. Harrison
Editora: Intrínseca
Pág: 256

O livro conta a história de Jodi, que é uma psicóloga, uma mulher muito distinta e elegante, do tipo que parece ter a vida perfeita, sendo inclusive um pouco paranóica em relação a arrumação. Ela é casada com Todd, um profissional da área imobiliária (não sei se seria empreiteiro), que gosta de ter uma vida organizada e tranquila ao lado da esposa, mas que vive uma vida fora do casamento com outras mulheres.

Para  Jodi, não é novidade que seu marido a trai, tendo alguns casinhos extra conjugais por aí, mas isso não a afeta tanto, pois ela tem a certeza de que ele a ama, e que esses casinhos são apenas aventuras que o marido busca, talvez por algo relacionado a infância traumática em que Todd viveu, tendo um pai extremamente abusivo.

Jodi tem um jeito peculiar de lidar com as coisas: ela não se abala, e se fecha com seus sentimentos apenas para si. O mundo pode estar caindo em sua vida, mas ela permanece meio que alheia a tudo, não no sentido de não sentir, mas de guardar para si seus sentimentos.

Todd mantém, além de outros casinhos, uma relação um pouco mais duradoura com Natasha, filha de um amigo, que tem metade de sua idade, o que faz com que ele se sinta mais jovem, ainda atraente e cheio de si. Porém, apesar de gostar de estar com Natasha, como já disse, ele gosta da tranquilidade de seu relacionamento com Jodi, mas tudo muda quando Natasha lhe conta que está grávida e exige que ele tome a atitude de se separar de Jodi e se casar com ela.

Como Jodi é uma mulher que aparenta estar "plena" mesmo em meio ao trágico fim de seu relacionamento, Todd não sabe o que esperar dela, e acredita que ela irá aceitar o fim como algo que tinha que acontecer, e continuar vivendo a vida dela, Porém, apesar de ser mais fechada com seus sentimentos, Jodi sente tudo isso que está acontecendo e passa a ter certas atitudes que Todd não esperava, que culminam em uma tragédia inesperada.

"No final, ela precisou aceitar que mesmo que você esqueça, não quer dizer que aquilo nunca aconteceu. O quadro-negro não está totalmente limpo, você não pode recuperar a pessoa que era antes; seu estado de inocência não está ali para ser retomado. A experiência que você teve pode ter sido indesejada, pode não ter dado em nada além de danos e desperdício, mas a experiência tem substância, é factual, autoritária, vive em seu passado e afeta seu presente, seja lá o que você tente fazer a respeito."

A Mulher Silenciosa é um livro narrado em terceira pessoa, mas com capítulos divididos entre Ele e Ela, que mostram o lado de cada um, os pensamentos, o dia-a-dia, de cada um dos personagens principais. Tenho que dizer que, algo que eu não sabia e descobri somente na contra capa do livro, é que a autora faleceu em 2013, enquanto escrevia um novo thriller, e isso foi algo bem triste, pois era uma autora excelente e muito talentosa.

O livro me chamava a atenção por sua premissa, desde que ouvi falar pela primeira vez dele. Mas eu não me lembrava de ter lido alguns detalhes da história na sinopse, mas esses com certeza aumentariam meu desejo de ler esse livro. A começar pela Jodi, que é uma psicóloga. Eu acho que nunca li um livro que tenha um psicólogo como personagem principal, que mostre realmente o trabalho que este desenvolve, e esse livro ter mostrado trechos de uma análise, foi algo muito interessante pra mim. Eu gostei demais que a autora se interessou em realmente pesquisar como é o trabalho desse profissional, e toda a atuação da Jodi no livro foi muito crível, porque é como as terapias se desenrolam mesmo.

"Os outros não estão aqui para satisfazer as nossas necessidades ou expectativas, e nem sempre nos tratarão bem. Não aceitar isso é ver surgir sentimentos de raiva e rancor. A paz de espírito vem quando aceitamos as pessoas como elas são, enfatizando seu lado positivo."


Outra coisa que gostei demais nesse livro foi por como ele consegue nos prender do início ao fim. Os capítulos são relativamente curtos, mas acabam sempre com aquele gostinho de quero mais, nos fazendo querer saber mais o que vai acontecer, e por isso foi uma leitura muito rápida pra mim. O modo como as coisas vão acontecendo, é tão gradual que se torna possível, e eu estou tentando há alguns minutos escrever uma frase para finalizar esse parágrafo, mas tudo me parece um spoiler, haha.

O Todd, é tão mas tão lixo de homem, tão insuportavelmente arrogante e cheio de si, que eu só conseguia sentir raiva dele. Até em alguns momentos em que as pessoas podem ter sentido certa empatia por ele, eu ainda sentia desprezo, haha. Ele consegue ser aquele tipo de homem desprezível, que trai a mulher, que trai a amante, que não consegue manter um relacionamento normal com uma pessoa que ele diz amar, que se acha a pessoa mais importante do mundo, que termina com a esposa mas ainda quer continuar tendo sexo casual com ela, enquanto a atual namorada está grávida em casa... são tantos defeitos, a autora conseguiu tornar Todd tão insuportável, que é difícil demais ter qualquer sentimento bom em relação a ele.

"Ela não sabia, na época, que a vida sabe como encurralar as pessoas em um canto. Fazemos nossas escolhas quando somos jovens demais para entender as implicações do que decidimos, e, a cada escolha que fazemos, o campo de possibilidades se estreita. Escolher uma carreira é abrir mão das outras. Escolher um companheiro é se comprometer a não amar nenhum outro."

O único detalhe que, pra mim, não incomodou, mas que pode incomodar quem não gosta, é que o livro traz alguns detalhes a respeito da psicologia, contando um pouco sobre linhas de pensamento da área, contando detalhes de como ocorrem alguns fenômenos psicológicos, e acho que se demora demais em algumas partes muito científicas, que para um leitor que não é familiarizado ou não se interessa por psicologia pode achar meio maçante.

Apesar disso, é um livro muito bom, com uma história muito incrível e que me fez ficar refletindo por um tempo a respeito do que é considerado moral ou imoral diante das situações vivenciadas pelos personagens porque, sim, você acaba torcendo para que coisas consideradas muito erradas dêem certo, haha.

Mas e aí, você já leu esse livro? Me conta aí nos comentários o que achou.

Beijinhos!


Título Original: Harry Potter and the Prisioner of Azkaban
Autor: J. K. Rowling
Editora: Rocco
Pág: 288

O livro começa mais uma vez nas férias tão temidas de verão, em que Harry precisa passar com seus detestáveis tios e primo. Para ajudar, além dos tios que já o detestam, uma irmã do tio Dursley vai passar uns dias em sua casa, e ela o atormenta com seus comentários maldosos e cruéis sobre o menino. Harry aguenta calado, com muito custo, tudo o que a terrível mulher fala sobre ele, porém, quando esta menciona de forma pejorativa seus pais, ele estoura, e faz algo que pode levá-lo até a ser expulso de Hogwarts.

Harry sai da casa de seus tios no meio da noite, decidido a não voltar mais para lá, e vai para o Beco Diagonal num Nôitibus, cujo ocupante fala sobre um tal prisioneiro que fugiu de Askaban, a prisão mais segura do mundo dos bruxos, e mais temida também, chamado Sirius Black. Chegando no Beco Diagonal, ele é recebido pelo Ministro da Magia e passa os dias, até o início das aulas, num dos quartos disponíveis.  Chegam lá também a família de Rony, e Harry vive seus melhores dias de férias, perto das pessoas de quem gosta, fazendo aquilo de que gosta, e obviamente, longe dos seus tios e primo. Porém, na ultima noite antes de embarcar, Harry ouve uma conversa escondido entre os pais de Rony, que revela quais são os verdadeiros planos de Sirius Black, um seguidor de Voldemort, que, spoiler, são de ir atrás de Harry em Hogwarts.

Nesse livro conhecemos os dementadores, seres assustadores que guardam a prisão de Askaban, e que vivem da "felicidade" dos outros. Eles sugam essa "energia boa", e deixam o local por onde passam extremamente frio, além de evocar as lembranças mais profundas e terríveis que a pessoa já viveu, levando-as a uma extrema tristeza. No decorrer da história também nos é revelado mais detalhes sobre os pais de Harry, e a forma como eles realmente morreram, assim como quais eram os amigos mais próximos de seu pai, e seu dia-a-dia em Hogwarts.

"A pessoa pode viver sem alma, sabe, desde que o cérebro e o coração continuem a trabalhar. Mas perde a consciência do eu, da memória... tudo. Não tem chance alguma de se recuperar. Apenas... existe. Como uma concha vazia. E a alma fica para sempre... perdida."

O terceiro livro da saga Harry Potter, foi um dos livros mais reveladores até então. No decorrer da leitura, nos é mostrado muito sobre a história de Harry, com uma reviravolta final que realmente não foi esperada. 

Confesso que eu demorei para engrenar a leitura desse livro. Sempre ouvi falar que este é um dos melhores da saga, e depois de ler, posso dizer que concordo! Porém, o começo foi um pouco difícil pra mim, e por isso, desisti da leitura na primeira tentativa. Mas, que bom que eu voltei, rs.

Acho que o mais legal na leitura dessa série é que no decorrer dos livros, vamos conhecendo um pouquinho mais sobre o Harry, "aprendendo" com ele sobre o mundo incrível dos bruxos, e realmente acompanhando o amadurecimento do personagem, que acredito que também nos mostre o amadurecimento da autora em relação a história. Os livros realmente vão ficando mais intensos, mais profundos no decorrer da série, e achei muito legal, porque realmente a história de Harry é muito triste, apesar de sabermos que ele sempre vence no final, rs.

"Você acha que os mortos que amamos realmente nos deixam? Você acha que não nos lembramos deles ainda mais claramente em momentos de grandes dificuldades? O seu pai vive em você Harry, e se revela mais claramente quando você precisa dele."

Eu ainda não consegui assistir o filme desse livro, que é algo que eu sempre faço ao terminar a leitura, e estou ansiosa por isso, para poder fazer comparações, e visualizar alguns personagens de uma outra forma,rs. Espero conseguir ler mais livros da saga ainda esse ano, e não vejo a hora de completar a série toda!

E você, já leu algum livro do Harry Potter? O que achou desse livro? Me conta aí nos comentários.

Beijinhos!


Título Original: Between Shades of Gray
Autor: Ruta Sepetys
Editora: Arqueiro
Pág: 240

O livro conta a história de Lina, uma garota lituana de 16 anos, que vê sua vida tão cheia de esperanças ruir quando os soviéticos invadem seu país, e faz os supostos "opositores" do comunismo prisioneiros, levando-os para campos de trabalho forçado.

A história já começa com o momento em que a família de Lina, é levada pelos soldados. Porém temos flashs, a partir da narrativa dela, de situações ocorridas antes da invasão.Ela levava uma vida tranquila com sua mãe, seu pai, e seu irmão mais novo. Seu pai conversava muito sobre política com colegas que ele levava em casa, e Lina sempre ouvia as conversas. Sendo uma aspirante a artista, por diversas vezes Lina desenhava aquilo que ouvia das conversas do pai, apesar das várias repreensões dele quanto a isso, já sabendo o quão perigoso era se opor ao regime. Lina também relembra de fatos de sua adolescência, em que vemos conflitos comuns e até bobos de adolescentes, misturados a um clima de tensão devido a iminência da invasão em seu país, e à Segunda Guerra Mundial.

Quando a família dela é levada, seu pai já havia sido preso antes. Então, só restavam os três, e sua mãe não queria que sua família ficasse ainda mais separada, por isso fez de tudo para que, ao serem obrigados a embarcar num trem em que não sabiam o destino, ficassem todos juntos. Nesse trem, embarcaram vários outras pessoas, inclusive uma moça que havia acabado de dar a luz, e que fora retirada do hospital junto com sua bebê, ainda sangrando, para ser levada presa.

Todos eles estão na mesma situação, sendo levados não se sabe para onde, nem por que, num trem em que piolhos já eram em maior número do que as pessoas, tendo que se alimentar com a lavagem que os soldados lhes davam, e fazendo suas necessidades por um buraco no vagão.

No decorrer da história eles são levados para um campo de trabalho forçado, onde os serviços variam entre plantar beterrabas, trabalhar na fábrica, cortar lenha... A prisão, a situação vivida e a tristeza que isso traz é tanta, que as pessoas que se conheceram naquele vagão passam a ter o apoio apenas desses desconhecidos, que se tornam amigos e amores, e as únicas pessoas com quem contar. Juntos, eles relembram histórias de sua amada Lituânia, tentando nutrir esperanças de um dia poderem retornar a seus lares e reencontrar suas famílias.

O livro é todo narrado em primeira pessoa, por Lina, o que foi uma excelente escolha narrativa, pois nos deixa muito mais próximos dos personagens, e faz com que consigamos "sentir" aquilo que é dito no decorrer da leitura.

Eu já havia lido o livro, anteriormente, com o título de "A Vida em Tons de Cinza". Como eu li o livro há algum tempo, ao reler agora eu nem me lembrava que era a mesma história. Lembro que quando li pela primeira vez, a história me surpreendeu muito, pois não conhecia esse lado da Segunda Guerra Mundial que a autora retrata em seus livros. Estava acostumada a ler livros que falavam sobre o nazismo, e os campos de concentração alemães, mas nem imaginava o quanto outros povos também sofreram durante esse períodos, especialmente devido as ocupações soviéticas.

O livro nos mostra esse lado da guerra, que muitas vezes não é contado, mas que, assim como já sabemos que ocorria nos campos de concentração nazistas, também foi permeado por torturas físicas e psicológicas, sofrimento, morte e degradação. Pela visão de Lina podemos ter uma ideia do quanto tudo o que tinham fora tirado, não só em relação a bens materiais, como também a dignidade, a família, os direitos como cidadãos,  e como a maioria deles nem sequer sabia o motivo de tudo aquilo estar acontecendo com eles.

Além de retratar todos os horrores da guerra, o livro também nos traz uma história de amor adolescente, que surge em meio a algo tão devastador, mas que é o que dá forças ao casal para continuar enfrentando o trabalho forçado, a fome e o frio, nutrindo neles a esperança de que um dia poderão viver esse amor em paz. E é muito lindo o quanto esse sentimento pôde surgir em meio a guerra, e o quanto ele foi capaz de levantar os dois personagens, e lhes dar uma injeção de ânimo, mesmo quando já pensavam em desistir.

Enfim, a narrativa do livro é bem fluida, apesar de relatar acontecimentos tão tristes, e muitas vezes pesados. A autora porém consegue nos fazer mergulhar nesse universo, e ficamos ávidos por querer terminar a história, torcendo para que, apesar de todas as tragédias, o final nos traga um momento bom para os personagens.

Recomendo muito a leitura desse livro, e espero poder ler mais livros da autora em breve.

Fiquei sabendo, ao procurar mais sobre o livro, que será lançado um filme contando essa história, e já fiquei bem curiosa para assistir.

E você, já leu esse livro, ou conhece algum outro livro da autora? Me conta aí nos comentários.

Beijinhos!



A-lista-dos-meus-desejos-inicio-de-conversa
Título Original
: La Liste de Mes Envies

Autor:  Grégoire Delacourt
Editora: Alfaguara 
Pág: 152

O livro conta a historia de Jocelyne, uma mulher de meia idade, com uma vida pacata e tranquila, que passa seus dias trabalhando em seu armarinho, e que mora em uma casa simples com seu marido, Jocelyn. Jo parece ser um tanto insegura em relação aos sentimentos de seu marido por ela, e acredita ser pelo fato de ser, como ela diz, gorda.

Levando uma vida um tanto quanto monótona e simples, Jo parece se sentir satisfeita e acomodada com tudo, inclusive com um casamento que já vivencia uma rotina. Após muitos altos e baixos, finalmente eles também vivem uma relação acomodada, tranquila, mas sem muita paixão e amor ardentes. Jo também administra um blog sobre tricô, armarinho, costura, etc, em que posta um pouco sobre o seu trabalho, e, ainda que não saiba, ajuda muitas outras mulheres como ela, através de suas palavras.

"Porque nossas necessidades são nossos pequenos sonhos cotidianos. São nossos pequenos afazeres, que nos projetam para amanhã, para depois de amanhã, no futuro; esses pequenos nadas que compraremos semana que vem e nos permitem pensar que continuaremos vivos semana que vem." 

Apesar de satisfeita com a vida que leva, Jo decide, por influência de suas amigas, comprar um bilhete de loteria. Sem nenhuma pretensão, adivinhem quem é a ganhadora do prêmio de 18 milhões de euros?

Mas Jo, diferente do que poderiam pensar, decide guardar essa fortuna em formato de cheque em sua casa, e, apesar de ser milionária, continua levando a vida que sempre levou, como se aquele dinheiro não existisse, até que enfim decida o que fazer com ele e como contar ao marido que agora eles tem MUITO dinheiro. Ao contrário de Jo, seu marido tem sonhos de consumo, que incluem coisas simples e exageradas, as quais eles nem consideram como possíveis, mas, não custa nada sonhar, né?

"Passamos uma vida enchendo uma casa; e, quando ela está cheia, estragamos as coisas para poder substituí-las, para ter o que fazer no dia seguinte. Chegamos a estragar o casamento para nos projetar em outra história, outro futuro, outra casa."

Antes mesmo do tão sonhado prêmio ser dela, Jo já imaginava que, com a possibilidade de ser rico, seu marido com certeza iria largá-la por alguém mais jovem e bonita, e, agora com tanto dinheiro, esses medos ficam ainda mais reais. Além disso, ela tem a consciência de que nem todo dinheiro do mundo compra a felicidade, e não quer arriscar perder a si mesma, sua essência, por isso. Ela passa então a planejar, através de listas, o que faria com esse dinheiro, enquanto reflete sobre todas as mudanças que aquilo irá acarretar em suas vidas, até que decida de fato usufruir de sua fortuna.

"Ser rico é detectar tudo o que é feio, uma vez que o rico tem a arrogância de pensar que pode mudar as coisas. Que basta pagar para isso."

A lista dos meus desejos é narrada em primeira pessoa por Jo, numa escrita que nos torna tão próximos da personagem que é impossível imaginar essa leitura por uma outra perspectiva.

Esse livro já estava na minha lista há muito tempo, e nem me lembrava mais do que se tratava sua história. Peguei para lê-lo sem pretensões, sem nenhuma pré concepção, sem saber o que me esperava, e fiquei totalmente envolta por essa história e apaixonada!

O livro traz reflexões muito profundas e intensas, a respeito do dinheiro, das mentiras que todos os dias contamos uns aos outros e a nós mesmos, dos relacionamentos duradouros, enfim. Todas temáticas tão importantes, e que realmente mexem com o leitor, por serem coisas muito próximas da nossa realidade. Outra questão abordada no livro é a respeito do luto, e como cada pessoa vivencia essa experiência de maneira diferente, e do quão doloroso é perder alguém que amamos.

"Você me faz falta. Seus carinhos me fazem falta. O barulho do chuveiro quando você chegava em casa me faz falta. Mamãe me fez falta. Minha infância me faz falta."

Senti uma empatia sem tamanho por Jo, que relata suas inseguranças e seu relacionamento meio desgastado e morno com seu marido, de maneira que realmente conseguimos sentir sua dor. Houve momentos em que eu quis socar a cara desse marido dela, e outros em que queria apenas oferecer meu ombro para essa mulher chorar.

"[...] quando me preocupo, ela responde com um riso nervoso que deforma sua boca, se eu parar, Jo, vou desabar, e se eu desabar, tudo desaba comigo, então não me segure, me empurre, me empurre."

Eu ainda não havia lido nada do autor, e, no começo, me causou uma certa estranheza a sua forma de escrita. As vezes me confundia com os pensamentos e falas dos personagens, por não estar muito bem definido quem estava falando naquele momento, mas não foi nada que impediu o desenrolar da leitura que, pelo contrário, fluiu muitíssimo bem, e, me adaptando a uma escrita diferente, conclui o livro em apenas dois dias. Vi algumas resenhas falando sobre o enredo ser um pouco lento e parado, mas o livro é extremamente reflexivo e intenso, e não seria possível abordar de maneira tão profunda certos aspectos se a narrativa fosse corrida e cheia de ação.

Finalizo dizendo que adicionei mais um livro à minha lista de favoritos! Simplesmente amei essa história, e tirei dela várias lições que com certeza levarei pela minha vida toda. 

E você, já conhecia esse livro? Me conta o que achou dessa história linda aqui nos comentários.

Beijinhos!



Título Original: Nine Perfect Strangers
Autor: Liane Moriarty
Editora: Intrínseca
Pág: 464

O livro conta a história de 9 pessoas, completamente desconhecidas (haha), que, em busca de se aperfeiçoarem, entrarem em contato profundo consigo mesmas e mudar coisas em suas vidas com as quais não estão satisfeitos, se inscrevem em um spa, o Tranquillium House, que promete que irão inevitavelmente sair diferentes de como entraram após passarem por aquela experiência arrebatadora.

Obviamente, cada uma dessas pessoas possuía personalidades diferentes e também objetivos diferentes com aquele retiro. Alguns buscando uma mudança física, outros buscando paz de espírito, outros ainda a recuperação de um relacionamento perdido. Enfim, cada qual com sua história, todos claramente sofrendo de alguma maneira, todos chegam a esse mesmo local.

A criadora do conceito do retiro, é uma ex-executiva, que, após quase morrer de infarto, por ter uma vida toda desregrada e trabalhar insanamente, larga tudo e se volta para o lado espiritual, estudando maneiras de se conectar mais consigo mesma e se transformar, e aplica tudo isso em seu spa.

O retiro logo se mostra algo bem inconvencional. Desde suas inscrições, os participantes tiveram instruções bem específicas sobre não levar nenhum doce, bebida alcóolica ou aparelhos eletrônicos. Chegando lá, passam por um exame de sangue, do qual são informados que ocorrerá diariamente (e sua bizarrice master já começa por aí). Mas, como todos eles estavam em busca de algo que realmente fosse mudá-los, se dispuseram a estar abertos para a mudança. Embarcam então em uma experiência muito peculiar, que envolve meditações de madrugada, dias sem poder conversar com absolutamente ninguém, e uma dieta beeem restritiva. E, mesmo com tudo isso, com certeza eles não esperavam tudo o mais que a Tranquillium House ainda iria lhes oferecer, e como eles de fato teriam suas vidas transformadas.

Nove desconhecidos começa de forma leve. Vai nos apresentando os personagens tranquilamente, sem pressa, nos mostrando suas dificuldades, seus problemas, o que, de forma superficial, os levou a procurar ajuda. Ao mesmo tempo, também nos mostra situações engraçadas vividas pelas personagens em sua busca pelo spa, e até tira algumas risadas nesse início.

No decorrer do livro porém, conforme a autora adentra profundamente a mente dessas pessoas, e nos mostra o quão realmente essas pessoas buscavam por auxílio profundo através daquele spa, e conforme vamos conhecendo realmente aqueles personagens, vemos que o livro é muito mais intenso, e muito mais reflexivo do que poderia parecer.

O livro trata de muitos assuntos delicados, trazendo cenas bem marcantes para mim. Mas acho que o principal tema retratado aqui são as relações familiares, e como elas podem se firmar das mais diversas maneiras, com as mais diversas pessoas, e como essa relação pode nos definir como seres humanos, visto que a família é a primeira "sociedade" em que nos inserimos, e através da qual moldamos em parte nossa personalidade.

Assim como outros livros que já li da autora, devo dizer que a escrita nesse livro é sensacional, a leitura flui muito tranquilamente, e os acontecimentos narrados nos levam a não querer parar de ler quando terminamos um capítulo, rs. 

Me conta aí nos comentários o que achou dessa história, e me indica também mais livros que você devorou rapidinho, rs.

Beijinhos!




Título Original
: The Couple Next Door

Autor: Shari Lapena
Editora: Record
Pág: 294

O livro conta a historia do casal Anne e Marco, que levam uma vida tranquila, num bairro de classe média alta, e que tem uma filhinha recém nascida chamada Cora. O casal sempre teve uma boa relação, porém Anne fora diagnosticada com depressão pós parto, e desde o nascimento da filha o casal se afastou muito, tanto por parte de Anne que não conseguia dividir com o marido seus sentimentos e anseios, quanto por parte de Marco, que não queria levar problemas para Anne e tinha medo de dizer ou fazer qualquer coisa que pudesse piorar o estado da esposa.

Anne veio de uma família rica, sendo sua mãe a dona da fortuna, mas que é, obviamente, dividida com o marido, e administrada por ele, em grande parte. Os pais de Anne a amam muito e fazem de tudo para que ela leve uma vida confortável, e por conta disso, foram eles que deram o dinheiro para a compra da casa em que Anne e Marco moram, e também que emprestaram uma grande quantia em dinheiro para que Marco pudesse abrir sua empresa. A grande questão é que os pais de Anne não gostam de Marco, e fazem questão de deixar isso bem claro, o que o deixa ainda mais constrangido por precisar do dinheiro deles.

O casal é vizinho de parede de um outro casal, mais excêntrico, Cynthia e Graham. Cynthia é uma mulher muitíssimo bonita e atraente, e era muito amiga de Anne, até o nascimento de Cora. Depois que a bebê nasceu, Cynthia se afastou de Anne, alegando que ela estava diferente, muito retraída, mas Anne acredita que isso aconteceu porque a amiga não gosta de bebês.

O livro inicia sua história com um jantar que é oferecido por Cynthia e Graham para Anne e Marco, que tem uma única exigência: não levar a bebê. Anne fica muito resistente à ideia de deixar sua filhinha em casa, mas é convencida por Marco, que diz que a casa é vizinha, e que eles iriam ver Cora de meia em meia hora, durante todo o tempo do jantar, se revezando entre si.

O jantar transcorre "normalmente", com Cynthia descaradamente se jogando em cima de Marco; seu marido, Graham, completamente alheio a tudo isso, e Anne muito irritada com a situação, preocupada com a filha e desesperada para ir embora daquele lugar. Diante de toda essa situação, Anne recorre ao álcool como forma de conseguir passar por aquilo, e quanto mais tempo permanecem no jantar, mais ela continua bebendo. Após várias visitas à casa, para verificar Cora, Anne decide que não aguenta mais ficar naquele jantar que só a fez se sentir mal, e decide que é hora de ir para casa, e leva Marco junto, mesmo a contragosto. Chegando em casa, porém, se deparam com a porta da frente entreaberta e, ao ver a filha, descobrem que ela não está mais em seu berço.

A partir desse momento, a vida desse casal vira de cabeça para baixo, pois são os principais suspeitos do desaparecimento de Cora, e têm sua vida revirada do avesso, com as investigações policiais. Ao mesmo tempo, vamos descobrindo, junto com a polícia, algumas informações a respeito do casal, e dos demais envolvidos, que nos fazem questionar quem de fato estaria envolvido no desaparecimento da bebê.

O livro, escrito por Shari Lapena, tem um ritmo muito envolvente. Confesso que comecei a leitura mais desanimada, porque parei um outro livro pela metade antes desse, e não gosto de fazer isso, haha. Mas quando você mergulha mesmo na história, não dá para parar até descobrir o que realmente aconteceu, e ir descobrindo os podres de cada um ao longo da narrativa nos causa um misto de sentimentos, ora desconfiando de um, ora de outro; ora sentindo pena, ora sentindo raiva, ora angústia...

A história da família me lembrou muito o caso do desaparecimento de Madelline, a garotinha francesa que desapareceu de seu quarto durante as férias da família em Portugal, e cujos principais suspeitos na investigação inicial foram os próprios pais. Não sei se a história foi baseada nesse caso, mas achei muito similar o começo da história do livro, com o que ocorreu nesse desaparecimento real, especialmente pelo fato dos pais terem deixado os filhos no hotel enquanto jantavam, e se revezarem para vê-los de hora em hora.

Durante todo o livro ficamos naquela angústia para tentar descobrir quem é o culpado, e várias teorias vão surgindo durante a leitura. Confesso que a pessoa que achei que seria, não era, mas acho que isso quer dizer que a autora é muito boa, porque não deixou nada óbvio para os leitores.

Gostei demais da leitura desse livro. Foi rápida, bem fluida, e me cativou. Eu não me lembro de já ter lido algum outro livro da autora, mas gostei demais da escrita dela, e de como nos envolve na história. E você, já havia lido esse livro? Me conta aí nos comentários. Ah, e me conta também se você tem outros livros dela para me indicar, tô bem a fim de ler mais essa autora!♥

Beijinhos!



Título Original: The Woman in Cabin 10
Autor: Ruth Ware
Editora: Rocco
Pág: 320

O livro conta a história de Lo, uma jornalista londrina, que uma noite tem sua casa invadida por um ladrão. Isso a traumatiza de uma forma imensurável, afetando seu dia a dia, mas, especialmente, seu sono, fazendo com que ela nao consiga dormir.

Lo tem um trabalho de que não gosta muito, sendo assistente de uma mídia sobre viagens. Por conta desse trabalho, ela tem que embarcar em um cruzeiro, o Aurora, poucos dias após o assalto que tanto a traumatizou. Lá, ela deve fazer contatos e escrever matérias sobre esse cruzeiro, que está tendo sua viagem inaugural, e é extremamente exclusivo e chique.

Por conta da falta de sono, Lo está exausta física e emocionalmente, mas na primeira noite no cruzeiro, tenta fazer os contatos que sua chefe lhe ordenou, e participar do primeiro jantar. Enquanto se arruma para o jantar, ela conhece a sua vizinha de cabine, a mulher da cabine 10 (tcharan!), de quem ela empresta um rímel. No jantar, Lo conhece então todos os passageiros do cruzeiro, que são bem poucos, sendo a maioria jornalistas, fotógrafos, ou pessoas relacionadas a esse ramo de viagens. Conhece também os proprietários do cruzeiro, Richard e sua esposa. Esta tem câncer e está fazendo os tratamentos necessários e por conta disso está muito abatida e aparência muito frágil. Porém a passageira da cabine 10 não aparece no jantar.

Após essa primeira "confraternização" entre os passageiros, enquanto tenta dormir após muitas noites insones, e após ter bebido muito no jantar, Lo escuta um grito vindo da cabine ao seu lado. Após o grito, enquanto tentava identificar se era real ou parte do seu sonho, ela escuta um barulho alto no mar, como se algo tivesse sido jogado da cabine ao seu lado direto no mar.

"Prendi a respiração e me esforcei para escutar. Então ouvi alguma coisa batendo na água. E não era nada pequeno. Não, o barulho na água era de uma coisa grande. O tipo de barulho que faz um corpo jogado na água."

Ela chama os seguranças, mas não há nenhum tipo de registro de que uma mulher tenha se instalado na cabine 10, pelo contrário, a cabine esteve o tempo todo vazia. Devido ao trauma que sofreu, a tomar antidepressivos e a ter abusado do alcool na fatídica noite, ela é desacreditada pelo chefe de segurança, e tenta encontrar as respostas por si só, tendo ajuda de um amigo que também está no cruzeiro, Mike.

A partir desse momento, Lo não vai desistir até entender o que de fato aconteceu na cabine ao seu lado. Devido a ser a única que ouviu o que ocorreu, ela chega a desconfiar que talvez tudo não tenha passado de um terrível engano cometido por sua mente. Porém algumas coisas começam a ocorrer que comprovam que ela estava certa, e que alguém está disposto a tudo para calá-la.

"E pensei: há um assassino nesse navio. E a única pessoa que sabe sou eu."

Além de toda a história do possível assassinato, vemos nesse livro uma personagem que vivencia um momento de escolhas na vida. Ela está em um relacionamento, mas não consegue se entregar totalmente a ele. Ela está em um emprego no qual não está plenamente satisfeita. E essas situações e as reflexões feitas no livro sobre esses assuntos me fizeram também repensar e reavaliar algumas  coisas. Quando Lo está finalmente decidida a não desistir de descobrir o que de fato ocorreu, ela repensa sua trajetória profissional, e quais eram seus sonhos, antes de se acomodar num emprego de que não gosta tanto, e acho que isso me fez refletir bastante sobre a busca dos meus sonhos. Acredito que essas sejam situações que muitos jovens adultos vivenciam lá pelos 20 e tantos anos, e acredito que, assim como eu, muitos leitores nessa faixa etária vão se identificar e também reavaliar como está indo a busca pelos próprios sonhos.

O livro é beeeem rapidinho de ler, apesar de eu ter demorado um pouco para concluir a leitura devido a uma ressaquinha literária que ainda estou vivendo, haha. Mas a leitura flui muito rapidamente, e a cada capítulo a gente fica mais ansiosos para descobrir o que está acontecendo, e imaginando junto com a personagem principal o que de fato ocorreu e quem poderia ser o assassino em meio a tantos personagens que aparentam culpa.

A história realmente nos deixa agoniados, porque acontece praticamente toda dentro do cruzeiro. E sendo um cruzeiro, não há por onde escapar, as pessoas realmente estão isoladas, e na situação em que Lo se encontra, de desconfiar de tudo e todos, não há a quem recorrer. Ficamos nessa tensão junto com a personagem durante praticamente o livro todo, especialmente no final, em que acontecem algumas coisas que me deixaram realmente muito claustrofóbica, Senhor! :O

Enfim, eu recomendo a leitura, especialmente para quem curte suspenses tipo Agatha Christie, em que a gente fica tentando descobrir os culpados junto com o personagem principal.

E você, já leu esse livro? Me conta o que achou nos comentários.


Beijinhos!


Título: Harry Potter e a Câmara Secreta
Autor: J. K. Rowling
Editora: Rocco
Pág: 287

O segundo livro do Harry vai contar sobre seu segundo ano em Hogwarts. Ele ainda está passando as férias de verão com seus tios Dursley, e vivendo seus piores momentos com essas detestáveis pessoas. No dia do seu aniversário, que por acaso é no mesmo dia em que seu tio está fazendo um jantar visando ganhar bastante dinheiro com uma transação, fazendo Harry ficar escondido e se fazer de "inexistente" em seu quarto, este se depara com Dobby, uma criatura que comumente é escrava de outros bruxos. Dobby foi até Harry para lhe orientar a não voltar para Hogwarts, porque algo terrível iria lhe acontecer se voltasse. Após Dobby fazer algo que enfurece ainda mais o tio de Harry, ele o prende em seu quarto, dizendo que ele não irá mais para a escola de magia, porém Rony e seus irmão vão salvá-lo dessa masmorra.

Harry passa alguns dias com a família de Rony, até que finalmente chega o dia de voltarem a Hogwarts. Eles fazem as compras de materiais no Beco Diagonal, porém antes disso Harry escuta sem querer a conversa do pai de Malfoy, Lucio, com um vendedor, onde ele diz querer vender algumas coisas suspeitas, ligadas a coisas "do mal". Eles reencontram Lucio na loja de livros, onde um futuro professor deles está dando autógrafos, onde Lucio desdenha de todos ali presentes: a família de Rony, Harry Potter, Hermione... Finalmente, quando chega o dia de irem a Hogwarts, a entrada secreta para pegar o trem se fecha antes de Harry e Rony conseguirem entrar, e eles vão até Hogwarts de carro.

Em Hogwarts, eles estão no segundo ano, e tem as suas aulas normais, sempre com alguma intriga entre Grifinória e Sonserina, tudo ocorrendo como em qualquer escola normal, até que Harry começa a ouvir uma voz que ninguém mais escuta, que fala sobre matar. Começam a aparecer pessoas petrificadas pela escola, começando por Norra, a gata, e indo até os alunos. Em meio a tudo isso, ressurge a "lenda" da Câmara Secreta, que seria um lugar onde há um monstro, e que somente um herdeiro da Sonserina conseguiria abrir e, por Harry conseguir falar a língua das cobras, um dom não muito comum e geralmente ligado a pessoas que não são do bem, alguns alunos passam a desconfiar que Harry é esse herdeiro.

Harry, Rony e Hermione então vão tentar descobrir mais sobre a Câmara Secreta, e quem seria o verdadeiro herdeiro, até que Hermione aparece petrificada, e eventos ainda mais terríveis começam a acontecer, o que faz com que os meninos encontrem a resposta e vão em busca da solução desse mistério.

Esse é o segundo livro da série que eu leio, e que arrependimento de não ter começado antes! Sim, é uma história bem juvenilzinha, mas é tão gostosa de ler, os personagens realmente nos cativam, e a leitura nos traz diversos sentimentos, nos colocando na pele deles.

Eu confesso que as vezes fico irritada com o Harry, porque ele se coloca em situações em que fica difícil realmente acreditar que ele é inocente, haha. Eu acho que ele é um pouco ingênuo em alguns momentos, e isso faz com que ele quase sempre esteja no lugar errado, na hora errada, e isso é levemente irritante  às vezes. Mas isso não é de maneira nenhuma uma crítica, porque é algo que acontece geralmente em livros juvenis, onde há um vilão 100%  do mal e um personagem 100% do bem, porque há sempre essa rivalidade entre os dois, mas, obviamente, com o bem sempre vencendo no final.

Mas obviamente, além dessa leve irritaçãozinha, o livro é incrível, a história de Harry Potter e como ele vai crescendo como bruxo ao longo dos livros é muito bem contada, e muito emocionante também, porque, devido a toda sua história, não tem como não torcer por ele, por sua vitória no final das contas.

E você, é um atrasildo como eu, que ainda não leu essa obra? Ou é um fã de Harry Potter ? Porque só há essas duas opções hahah. Me conta aí nos comentários.


Beijinhos!

"Na casa do meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lher lugar." Jo 14:2


Título: Menina Boa Menina Má
Autor: Ali Land
Editora: Record
Pág: 376 


O livro conta a história de Annie, uma menina de 15 anos que denunciou a sua mãe, uma serial killer e psicopata, que assassinava crianças em sua própria casa. Só por essa simples frase já dá pra ter uma dimensão de que essa vai ser uma história bem pesada.

Após a denúncia feita por Annie, a mãe dela é presa, e a menina é levada a um abrigo, onde um psicólogo, Mike, lhe oferece um lar temporário, enquanto ocorrem os trâmites para o julgamento da mãe dela, no qual Annie irá participar. Esta tem seu nome alterado para Milly, a fim de ser preservada nessa nova escola e vizinhança onde estará inserida, para que não a associem a psicopata da sua mãe.

Nessa nova casa onde Milly passa a morar, além do Mike, a família é composta pela esposa dele, Saskia e sua filha Phoebe. Saskia é uma mulher completamente alheia ao mundo ao seu redor, que muitas vezes parece estar chapada de remédios e que não consegue estar inteiramente presente para a família, especialmente para a filha. Phoebe é uma adolescente rebelde em casa, que desrespeita completamente sua mãe e que muitas vezes parece odiá-la, devido ao completo abandono afetivo que sofre por parte dela. Mas na escola Phoebe consegue ser muito pior, realizando bullyng com as pessoas que não se encaixam no que ela enquadra como "normal", ou com aqueles mais frágeis que ela.

O livro vai nos mostrando então a "adaptação" de Milly a essa nova realidade, com Mike lhe fazendo sessões de hipnose pra que ela consiga acessar os conteúdos relacionados aos assassinatos cometidos por sua mãe, para que possa falar melhor sobre isso quando ocorrer o julgamento. Ela também tem que lidar com Phoebe, que a atormenta em todos os sentidos, por achá-la "estranha", pelo fato do Mike passar muito tempo com ela, por ser uma menina muito frustrada com tudo e querer ser o centro das atenções. Phoebe não sabe a verdadeira identidade de Milly. Só quem tem essa informação são os "pais", Mike e Saskia, e a diretora da escola.

Além de ter que lidar com todas essas coisas, Milly fica o tempo todo ouvindo a voz de sua mãe em sua mente, julgando-a, dizendo o que deve ou não fazer, a atormentando em seus sonhos todas as noites. Devido a tudo que presenciou e também tudo o que sofreu, Milly tem traumas psicológicos profundos (além de alguns traumas físicos) e tenta lidar com isso sozinha, não contando ao psicólogo nem a ninguém quais são os seus reais e verdadeiros sentimentos, seus medos, e seus anseios.

O livro é narrado em primeira pessoa por Annie, o que nos deixa ainda mais sufocados, por estarmos na "pele" dessa menina que é tão traumatizada, tão machucada e que foi tão transformada devido as suas vivências.

O começo do livro foi bem angustiante pra mim. A narrativa ia nos revelando aos poucos quem era Milly (Annie), sua mãe, e o que ocorreu na casa dos horrores onde ela vivia. Acompanhar os pensamentos da Milly foi bem pesado, especialmente no início, porque não estava esperando por aquilo sendo exposto assim, tão cru na nossa frente.

O livro como um todo foi muito bem escrito, e nos deixa com aquela sensação de aperto no coração, de desespero por se colocar no lugar da menina, mas também no lugar dos outros personagens, como da Phoebe, que é muito negligenciada pela mãe, da Saskia, que vive em um mundo paralelo a realidade, não estando 100% presente em nenhum momento, do Mike, que tem que conseguir lidar com toda a bagagem de Milly, além de administrar a presença dela no meio de sua família que já é desajustada.

Porém, apesar de ter gostado muito da história, de como os personagens foram se desenvolvendo e se revelando para o leitor, eu achei que o final não foi tudo o que eu esperava. O julgamento da mãe de Annie é realizado praticamente no fim do livro, e era nesse momento que eu esperava que algumas coisas fossem melhor explicadas, eu esperava que, todas aquelas pinceladas sobre o que ocorria na casa, que a gente sabe através de Milly, fosse enfim costurado e explicado com mais detalhes nesse momento. Não detalhes de como a mulher assassinava as crianças, mas como elas chegaram até ela, como era realmente a participação de Annie nessa loucura toda, como foi que tudo chegou no ponto onde chegou. Além disso, a revelação final foi meio que esperada por mim, devido a toda a história de Annie.

Apesar disso, eu achei o livro muito bom. Apesar de ler bastante livros do gênero thriller, suspense, etc, esse me surpreendeu pelo terror psicológico que nos faz sentir, pelas dúvidas que nos causa, por nos despertar a curiosidade de querer saber o que vai acontecer a cada fim de capítulo.

Enfim, apesar de alguns pequenos detalhes, eu gostei demais dessa leitura, e recomendo muito o livro para quem gosta do gênero, porque ele com certeza vai mexer com o leitor.

E você, gosta de livros desse gênero? Já leu Menina Boa Menina Má ? Me conta aí nos comentários o que achou, e se partilha da mesma opinião que a minha.



Beijinhos!



"Na casa do meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lher lugar." Jo 14:2


Título: Revés
Autor: Luciano Otaciano
Pág: 22
Tempo de Leitura: 1 dia

O conto fala sobre um assassinato que ocorre com o dono milionário de uma empresa, e mostra o desenrolar e as consequências disso nas vidas dos que o rodeiam. Desde o filho desse empresário milionário, até o empregado muito bem quisto, vemos como as relações podem ocorrer de forma tão simples na superfície, mas que, no fundo, é enredada por vários poréns, e envolta por muita cobiça, ganância e inveja.

Eu confesso que a muito tempo não lia um conto, então não me lembrava muito do que esperar desse tipo de narrativa.

Nos contos, por serem textos curtos, onde não é possível se demorar muito em explicações e nem desenvolver muito os personagens, creio que o autor deve se esforçar ainda mais para poder passar toda a sua mensagem em poucas palavras, e fazendo com que aquilo faça sentido para o leitor final, que este compreenda a narrativa e que a história toda fique amarrada. E creio que isso ocorreu nesse conto.

Eu gosto muito do gênero policial/suspense/thriller, e acredito que o autor tenha acertado no desenvolver da história, nos apresentando os personagens e nos levando, mesmo em tão curta narrativa, a questionamentos sobre quem seria o assassino, quem seriam os vilões e quem seriam os bonzinhos da história.

Como disse, fazia tempo que não lia contos, mas gostei bastante da experiência, que entrega os mesmos quesitos de um livro policial, mas em poucas páginas, e com qualidade.

Recomendo! Leiam e me contem!


Beijinhos!


"Na casa do meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lher lugar." Jo 14:2





"Preferiria mil vezes estar sozinha do que ficar assim, arrastando correntes pela casa, remoendo minhas mágoas. Prefiro não ter você do que tê-lo pela metade."

"O problema eram os seus muito quereres. Ela ainda queria ver suas hidrângeas em flor no outono. Queria votar nas eleições presidenciais. Queria ver o fim daquela maldita guerra. Queria ver seu nome num livro de recordes. Preferia a vida à morte, só isso. Como a maioria das pessoas."




Beijinhos!


"Tu és a minha lâmpada, ó Senhor! O Senhor ilumina-me as trevas." 2Sm 22:29


Título: Um Menino em Um Milhão
Autor: Monica Wood
Editora: Arqueiro

Pág: 348
Tempo de Leitura: 22 dias


O livro conta a história de um escoteiro, com uma personalidade e trejeitos bem peculiares. Não é dito isso especificamente no livro, mas acredito que, devido as características dele, o modo como se portava e se relacionava, ele tinha algum grau de autismo.Como uma de suas tarefas de escoteiro, ele é designada para auxiliar a Srta Ona Vitkus nas tarefas da casa dela. Ela é uma senhora de 104 anos, mas que se mantém ativa e lúcida, e que a comunidade auxilia de diversas maneiras devido a sua idade avançada e por não ter ninguém da família por perto.

O menino logo consegue conquistar Ona, e esta se torna sua amiga. Ele é aficcionado por recordes, e conta a ela sobre os recordes relacionados a idade. Logo, eles começam a almejar que Ona faça parte do Guiness Book, e buscam categorias nas quais ela poderia se encaixar. Definem então que ela poderia entrar para o Guiness como motorista mais velha habilitada, e esta, com o auxílio do menino, passa a se dedicar a tirar uma nova habilitação. Ona tem aulas com ele, que a auxilia na parte teórica enquanto ela treina a parte prática. Ao mesmo tempo, devido a um trabalho da escola, o menino entrevista Ona com seu gravador, e ela conta sua história de vida a ele.

Porém, toda essa amizade de repente é interrompida quando o menino não aparece mais na casa de Ona para cumprir suas tarefas. Em seu lugar, seu pai, Quinn, vai até a casa dela para cumprir com as tarefas do filho. Ona se irrita de início, mas logo descobre o que realmente aconteceu com o menino, que faleceu devido a uma doença impossível de ser diagnosticada previamente, e se entristece muitíssimo. Com a dedicação de Quinn, e seu esforço para conhecer mais o filho através de seu relacionamento com Ona,  ele passa a ganhar a confiança dela, e, pouco a pouco, a se tornar amigo dela também, da mesma forma que seu filho era.

A relação entre Quinn e seu filho nunca foi boa, em parte devido ao fato de que ele não entendia o menino, e também não fazia esforço nenhum para tal. Em parte também porque esteve longe de casa durante muito tempo, pois trabalha como músico profissional, apesar de ser frustrado na profissão e não ter conseguido decolar sua carreira ainda jovem.

Belle, a mãe do menino, fica profundamente deprimida, e não consegue ter ânimo para as mais simples tarefas. A proximidade de Quinn, devido ao falecimento do filho, lhe causa ainda mais tristeza e raiva. Porém, ao se aproximar de Ona, Belle começa a criar forças para superar sua tristeza. Auxiliando Ona numa viagem que ela deseja fazer a um fato de seu passado, junto com Quinn, ela se sente mais próxima também de seu filho, e começa a se fortalecer para voltar a viver sua vida, da melhor forma possível.

Um Menino em Um Milhão é um livro narrado em terceira pessoa, sendo os trechos em que ocorrem as entrevistas narrado em primeira pessoa, sendo Ona contando sua história.

Esse foi um livro que me surpreendeu positivamente do início ao fim.Devido a sinopse, não havia me interessado muito, mas, ao ver o livro exposto na biblioteca, resolvi dar uma chance a essa leitura. E, que bom! Porque o livro é encantador! A história de um menino que, mesmo após sua morte, conseguiu transformar a vida das pessoas a sua volta, é algo muito emocionante. A história de vida da Ona também é muito comovente, devido a tudo o que aconteceu em sua longa trajetória. Ela, que já não esperava mais muito da vida, vê um novo recomeço através do menino, que lhe inspira sonhos e anseios que ela ainda quer realizar.

A leitura é um pouco longa, mas não achei que a história se arrastou. Havia muito que ser contado em relação a Ona, e também sobre os outros personagens, então achei que a história fluiu bem, e ao final, o leitor fica com a sensação de que a trama está toda fechadinha.

O final desse livro, confesso, me fez derramar algumas lágrimas. E por isso, por toda a história tocante, por tudo o que o autor consegue nos fazer sentir no decorrer da leitura, em relação a proximidade da morte em comparação com a brevidade da vida em outros casos, esse foi um livro que eu fiquei muito satisfeita por ter conseguido concluir ainda esse ano.

Recomendo fortissimamente! Leiam e me contem!


Beijinhos!


"Na casa do meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lher lugar." Jo 14:2


Título: Precisamos Falar Sobre o Kevin
Autor: Lionel Shriver
Editora: Intrínseca

Pág: 463
Tempo de Leitura: 23 dias.

O livro é narrado através de cartas escritas por Eva Katchadourian, mãe do Kevin, para Franklin, seu esposo e pai do Kevin. Ela começa as cartas aproximadamente um ano depois da fatídica quinta-feira, em que tudo aconteceu. O QUE aconteceu, de maneira geral, já fica explicitado logo no início do livro, que foi o massacre realizado por Kevin dentro de sua escola. Digo "de maneira geral" porque alguns detalhes muito importantes só são revelados ao final do livro (e que eu já sabia porque, infelizmente, eu vi o filme primeiro).

Eva relembra em suas cartas todo o seu relacionamento com Franklin, desde quando se conheceram, e como era a relação que eles tinham, ficando muito claro seu amor por ele. Ela relata também o momento em que decidiram engravidar, que foi um pouco por pressão do Franklin e um pouco por estar envelhecendo e temer esperar demais. A questão é que, desde o início, Franklin idolatrava essa criança e Eva, ao contrário, desenvolveu uma aversão pelo bebê desde o ventre, e o bebê sentia o mesmo por ela.As cartas retratavam também toda a infância de Kevin, que vivia em pé de guerra com a mãe e era extremamente dissimulado com o pai.

Quando o Kevin já está maiorzinho, Eva decide engravidar novamente,mesmo não sendo da vontade do Franklin, e descobre que sua aversão não era a ter filhos, e sim ao Kevin, especificamente, pois desenvolve uma relação de amor verdadeiro com sua filha, Celia, desde o ventre

Durante a adolescência de Kevin, ele demonstra diversos comportamentos transgressores, mas Franklin sempre arruma uma desculpa para isso, até mesmo quando, enquanto Kevin deveria estar cuidando de Celia, esta joga ácido no olho, ficando permanentemente cega e com o rosto deformado. Eva desde sempre desconfia dos comportamentos e atitudes de Kevin, mas a partir desse episodio com Celia, ela confirma suas suspeitas do quão maldoso e cínico ele é.

Ao fim do livro, enquanto Eva retrata detalhadamente como foi a fatídica quinta-feira do massacre, vão sendo revelados detalhes de como foi esse dia, de como Kevin agiu, e todas as pessoas que atingiu, que torna essa história ainda mais impactante.

O livro é bastante pesado, com uma linguagem mais rebuscada, e as vezes de dificil entendimento. Além do mais, pelo fato da narrativa ser toda feita em cartas, o presente e o passado se misturam, o que pode deixar o leitor um pouco confuso com a ordem cronológica dos fatos.

Mas, apesar desse detalhe, o livro é EXCELENTE! A narrativa escolhida para contar essa história tão triste, para mim, foi a mais certeira, pois conseguimos nos colocar no lugar de Eva, e sentir e enxergar essa história pelos olhos dela, e sendo contada para a pessoa que mais ama no mundo, fazendo com que ela pudesse expressar o que estava em seu coração de verdade, sem filtros e sem medo de magoar.

Esse livro me fez refletir sobre muitas coisas, em especial na questão da maternidade, e nos receios que eu mesma tenho em relação a isso. O livro mostra uma visão muito diferente daquela idealizada, mostrando os sentimentos que podem surgir a partir dessa vivência, que não são só de amor, mas também pode ser de medo, mágoa, ciúme...

Enfim, é muito difícil expor em palavras os sentimentos que ficam após a leitura. Mas a conclusão é que esse é um livro que eu AMEI ler, e agora eu já quero rever o filme também, rs.

E você, já leu esse livro? Me conta aí nos comentários o que achou.


Beijinhos!


"Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus." Sl 46:10a